Entre aspas

7 set

Pouco de sua voz me vem à memória. O pouco forçado, que o combate às minhas falhas fisiológicas e fracas não me deixam lembrá-la por completo. Temo não lembrá-la nunca, ou pior, jamais ouvi-la outra vez.  Mas toda vez que tento, também temo que a sua parcela sonora se dissipe na minha. Deixando de ser sua para se tornar nossa. E isso me dá medo.

Sem muito esforço me vem à cabeça a dedicatória do livro que começara hoje a tarde, cujas palavras foram tomadas de Caio Fernando de Abreu sem aspas:

“Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. ”

E realmente o era.

Milene Loiza de Sousa

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