“As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora”

19 out

Bem, desta vez não estou aqui pra justificar a ausência, creio que a explicação, sempre pelo mesmo motivo (estágio+ultimo ano+vida a mil e etc..) já tenha se tornado senso comum… mas vim dizer e explicar minha saída do jornal O Estado RJ. A princípio fiquei muito entusiasmada com a história de participar de um Projeto de Futuros Jornalistas e de ter um canal em que eu pudesse expressar o que eu quisesse e da forma que quisesse, mas nem sempre o empenho que você dá lhe traz um retorno bom.

Eu escolhi um tema difícil para o Trabalho de Conclusão de Curso – A moda como auxílio ao desenvolvimento sensorial tátil infantil de cegos congênitos – (não que o dos outros não sejam), mas lidar com um problema real, uma carência difícil de ser saciada, é complicado… E com a correria do dia-a-dia me vi esgotada, desorganizada, sem vida social, sem tempo pra mim e isso começou a prejudicar meu trabalho e o rendimento do meu projeto.

Eu não gosto de fazer nada por fazer, sou perfeccionista, embora minhas limitações não permitam que saia tudo como desejava. Todas as matérias feitas para O Estado RJ foram pensadas, estudadas, pesquisadas… eu queria que o que eu escrevia fosse o melhor de mim no momento, que trouxesse uma reflexão para quem lesse e não fosse apenas informações efêmeras e escritas com prepotência, como se eu soubesse mais do que quem lê. E nós nunca sabemos o suficiente. Eu procuro acima de tudo aprender com o que faço todos os dias: escrever.

Muitas vezes me disseram que eu gosto de escrever difícil, que eu fico “procurando palavras similares no Word”, mas a verdade é que se eu não aprender com o que faço, se não tiver uma troca, não me satisfará mais. Eu gosto de textos bem construídos, com um vocabulário rico… e eu acho que como uma viciada em dicionários eu deveria saber algo. Ademais não há um dia em que eu não o leia.. já que quem acredita saber demais a ponto de não pesquisar, se emprenhar no que faz, e estar aberto ao aprendizado sempre, na verdade fica pra traz.

Eu cheguei ao clímax do perfeccionismo (se é assim que eu posso dizer), à um momento em que eu não tinha vontade pra nada, nem pra levantar da cama, porque o dia não sairia como eu queria. E com a correria atrás do prejuízo e meus deadlines pela boca cheguei a situação: ou manda o texto ou sai. E foi uma falta.

Então, eu, que não recebia nada, que me empenhava pra escrever algo bom vi que isso tudo não valia a pena. Pra ser sincera eu me senti um pouco ofendida. Eu entendo como funciona o jornal, trabalho escrevendo pra site, sei o quanto vale uma matéria, para o bom funcionamento, mas creio que conteúdo nela vale muito mais.

Nada que eu faço é feito por fazer, eu leio, estudo, pesquiso pra fazer sempre o melhor…  e não é porque é um projeto, e não é remunerado que eu não faria diferente. E logo alguém mandou uma matéria para não sair, e foi de qualquer jeito, não tinha diferencial nenhum a qualquer outro veículo. Não sei se exagero demais, mas cobro isso de mim quando escrevo, tem que ser o melhor de mim naquele momento, mesmo que não seja ao todo. Eu tenho que aprender algo com o que escrevo, permitir que as pessoas reflitam sobre.. eu procuro isso nos meus textos. Eu demoro, mas me entrego ao que faço.

Diante de mandar qualquer texto pra não sair, é como se esse esforço não vale-se, vale-se o texto e só. Então se não vale, não tem porque eu passar o tempo livre pensando e pesquisando algo diferente pra escrever. Então decidi sair do projeto. Eu nunca vou mandar um texto mal feito só pra não sair de algum lugar. Nunca.

Desculpem as desculpas, o exagero, mas assim deixo o jornal.
Logo atualizo tudo aqui, todos os desfiles, tendências e matérias.
Obrigada pela paciência de ler até aqui.

Cada parte

20 set

Tenho questionado meus díspares estados de espírito. O pouco que tenho sido em todas as coisas e que me torna completa. Completa faltando tudo, já que nem tudo posso carregar. Vou me deixando pelos caminhos, embora as vezes eu queira trazer uma parte.

 

As vez sou uma ferida que arde. Recém aberta, que lateja e mesmo que insignificante a dor, depois deixa marcas.

 

As vezes sou um vento que suga o calor úmido das roupas no varal, que as dou forma quando parte de mim se perde em suas reentrâncias.

As vezes sou um pouco varal, deixo que sequem por um fio, mas não posso segurar nada que for leve demais e não possua um pregador.

As vezes sou uma poça d’água que restou do chuvisco. Que se espalha com as pisadas, mas que não seca se não houver sol.

As vezes sou contínua, sem fim. Noutras meus pensamentos dão me deixam sê-la. Há sempre a mudança.

 

Milene Loiza de Sousa

Entre aspas

7 set

Pouco de sua voz me vem à memória. O pouco forçado, que o combate às minhas falhas fisiológicas e fracas não me deixam lembrá-la por completo. Temo não lembrá-la nunca, ou pior, jamais ouvi-la outra vez.  Mas toda vez que tento, também temo que a sua parcela sonora se dissipe na minha. Deixando de ser sua para se tornar nossa. E isso me dá medo.

Sem muito esforço me vem à cabeça a dedicatória do livro que começara hoje a tarde, cujas palavras foram tomadas de Caio Fernando de Abreu sem aspas:

“Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. ”

E realmente o era.

Milene Loiza de Sousa

Ímã

2 set

Já são duas horas e a ponta da caneta se aproxima e se afasta da linha do papel como a força incógnita de um ímã. Não sabia sequer rabiscar o bem estar magnético que sentira. Passara-se trinta minutos de relutância com o papel… Pra quê registrar a força entre os pólos? Não entendera porque perdia tempo ali, como se escrever trouxesse as minúcias do momento vivido de antemão. Estava sendo ou era? Mas antes mesmo que pensasse julgar, as expectativas ganhavam voz e espaço. “Ahh!” E jogou a caneta na mesa cortando o silêncio do quarto com pensamento em reticências.

 

Bruno não era mesmo a pessoa de riso fácil, como quem foge do espelho, do reflexo, de si mesmo. Mas aquele riso dando trégua ao hiato a incomodava, a fazia persistir. “Por que o sorriso?” – perguntou-se insistentemente. Por que aqueles olhos a convidava se sua boca se restringiu à breve e côncava fresta? Nada lhe tiraria da cabeça de que era seu escopo naquele momento. Virou ligeiramente a cabeça para os lados à procura do ladrão que o arrancara de sua face e, em vão, encontrou a si mesma refletida na vidraça. Encontrou-o. Roubando-lhe outro. Um estado de paz.

 

Retornou rosto, agora com os olhos baixos, à direção de Bruno, já não tão distante. “Provei.” – pensou. Mesmo sem ter que provar da bebida barata, cujo rótulo cai célere como a folha com os ventos no outono. Nem mesmo ventava. E ela se deteve em si, permanecendo assim sem arriscar uma brusca palavra que mudasse o curso do que entendera ali. Não conseguia medir sua própria dimensão, estava maior do que era, só não tão grande quanto o sorriso silencioso.

Vivera a mesma cena inúmeras vezes do caminho de casa à beira da cama. E o quarto ainda que em surdina ecoava-lhe as perguntas multiplicando as incontáveis vezes que as fizera a si mesma. Encontrara então o que procurava? Perguntara-se também. Mas como definir tão sutilmente o magnetismo entre pólos opostos? Como explicar a invisível força, sem histórico, sem uma palavra, que mesmo separada sob uma folha de papel une ímã e metal? Não sabia.

 

Não sabia sequer se foi a melhor escolha, mas a sensação era boa. Como se o coração quisesse dilacerar-lhe o seio e sair pra viver fora de um corpo que não lhe cabia mais. Não cabia mais no momento. A intensidade não durou pra sempre, mas fora simples suficiente para que a tornasse viva… Mas no fundo ela sabia, intensidade e vida também é momento.

 

Milene Loiza de Sousa

O Estado RJ: Delineando Proporções

8 ago

Como de costume, quinzenalmente escrevo para o jornal virtual O Estado RJ.
Dessa vez escrevi  sobre tipos de silhueta, será que são tão importantes no vestir?
Será que vale a pena desconsiderar o que você gostaria de usar ou se sente bem usando?
Dá uma olhadinha lá!

Portais da Moda: Vestidos das convidadas do casamento de Marina e Pedro em Insensato Coração

8 ago

Confira os looks das convidadas para o casamento de Marina e Pedro na novela Insensato Coração e inspire-se!

Portais da Moda: Cortes de cabelo para rosto triangular

8 ago

Veja as peculiaridades do rosto triangular e os cortes de cabelo mais adequados aqui!

Portais da Moda: Coleções Moda Feminina Cianorte Verão 2012

5 ago

Confira aqui o que algumas marcas femininas em Cianorte trouxeram para o Verão 2012! 

Letras de retrovisor

5 ago

“Minha tarefa agora é estabelecer a ordem correta. (…) Quando escrevo, o que me parece mais importante não é a ideia, nem o conteúdo, e nem um nebuloso conceito de “qualidade”, mas algo ainda mais nebuloso e incompreensível para a mente racional, porém compreensível para mim e, espero, também para você.. É a ideia de limpeza da ordem.”

 Man Ray

Portais da Moda: Tendências Moda Verão 2012 Expovest Cianorte

31 jul

Confira algumas tendências femininas que eclodiram na exposição para a cálida temporada!